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FOGO DE BRASA

ANDRÉ PIEYRE DE MANDIARGUES

  • R$ 42,00

*LIVRO VENDIDO NO ESTADO.

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Não será permitida troca do livro, exceto em caso de defeitos gráficos.

Finalmente em português as magníficas novelas de Fogo de Brasa, de André Pieyre de Mandiargues.

Longe de ser um mero contador de histórias, Mandiargues cria situações originalíssimas e cativantes, que se situam sempre entre o real e o onírico, para gerar e trabalhar aquilo que é a essência da verdadeira literatura: uma linguagem nova e inesperada, responsável maior pelo espetáculo do texto. Como diz Roland Barthes, em Sade, Fourier, Loyola, todo escritor pratica a logotésis, é um logoteta, um criador, um fundador de língua. E poucos superam Mandiargues nesse ato criador.

O caráter ao mesmo tempo minucioso e fluido das suas descrições de ambientes internos ou externos, assim como a caracterização das suas personagens, de que são exemplos a escadaria, o apartamento dos brasileiros e os dançarinos em "Fogo de brasa"; as salinas abandonadas, a vila escura e nevoenta entrecortada de canais, a casa de tolerância, a estranha figura feminina de Rodogune Roux com seu carneiro, em "Rodogune"; as três minúsculas, eróticas e milenares mulheres nuas do geodo, que falam latim, em "As pedregosas"; a enigmática casa do "homem de aparência assustadora", a menina moça quase nua a gemer sobre um tapete desbotado, as inumeráveis pontes, as ruelas mal iluminadas, o barco em fuga para lugar nenhum, em "Mórbida miragem"; os devaneios eróticos e fúnebres num ambiente exótico, supostamente mexicano, em "O nu entre os caixões"; essas descrições todas, repito, minuciosas e precisas, surpreendentemente não conduzem a uma realidade e a situações objetivas, mas a um mundo distorcido e onírico. Assim, em "O diamante", Sarah Mose, filha do joalheiro judeu Cesarion David, caracterizada como uma moça virgem e prática, esteio dos negócios do pai, faz amor dentro de um diamante, com um homenzinho minúsculo "cuja cabeça assemelhava-se à de um leão" e cuja "pele, muito lisa, era de um vermelho ardente...". Aliás, a miniaturização, recorrente em várias novelas, é um dos processos usados por Mandiargues para levar o leitor para o seu mundo surrealista.

O fato de as personagens estarem sempre nesse espaço oscilante entre o sono e a vigília constitui-se em fonte de estados mórbidos e confusos que permitem distorções mentais, comportamentais e verbais.

Esse mundo paralelo também é reforçado com o recurso frequente ao espelho, à vidraça, à imagem refletida, duplicada, multiplicada. Note-se que as superfícies lisas que refletem as imagens estão em geral turvadas, embaçadas, meio sujas, em ambiente de penumbra, o que acrescenta distorção e imprecisão à figura refletida: "... o espelho mal limpo da prateleira..." ("O nu entre os caixões").

Também as cores, que vão por cambiantes entre o quente, o carnal vermelho e o gélido azul, têm grande peso na geração de estados afetivos: "... O fogo alargou-se; uma faceta inteira, obliquamente limada, tornou-se como que incandescente, jogando chamas onde o azul lutava com o vermelho antes de com ele se unir em longos raios purpúreos e violeta..." ("O diamante").

Por vezes a combinação de formas, cores e brilhos operam como uma espécie de relé para a passagem do mundo real para o onírico, para o mundo das recordações e do devaneio. Assim, em "A infantilidade", Jean de Juni, enquanto fazia sexo, enquanto "estava malhando como se malha o trigo", olhando a "bola de cobre dourado" que encimava a cabeceira da cama e "diante dele reluzia no raio sempre com tanto brilho", entra em devaneio e recorda toda a sua infância.

Enfim, esses e outros elementos, que poderíamos aduzir, fazem de Fogo de brasa uma obra de enorme interesse ficcional e literário, que agora se acrescenta, na especial tradução de Mônica Cristina Corrêa, como feliz disponibilidade para o deleite dos leitores brasileiros.

Mário Laranjeira

 

Autor(a) Andre Pieyre de Mandiargues
Tradutor(a) Mônica Cristina Corrêa
Nº de páginas 128
ISBN 85-7321-165-2
Formato 14x21 cm

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