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PARTIDO DAS COISAS

FRANCIS PONGE

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Publicado na França em 1942, sob a ocupação nazista, o Partido das coisas de Francis Ponge propunha uma nova forma de poesia — e de literatura —, situada a meio caminho entre uma descrição poética das coisas cotidianas (a chuva, a ostra, a laranja) e a elaboração de um pensamento sobre como as noções que temos acerca dessas mesmas coisas se entrelaçam e se confundem com a própria linguagem. Esta tradução propõe um retorno ao meio do caminho, numa época não menos assustadora, que outra vez nos obriga a tomar o partido das coisas.

Adalberto Müller, crítico, escritor e tradutor profícuo, vêm se dedicando, entre tantos potentes projetos, há mais de duas décadas à obra de Francis Ponge. Esse poeta francês, ao qual Müller dedicou sua tese de doutorado, é um dos mais importantes poetas do século XX. Nascido em 1899 e falecido em 1988, criou uma poética própria, que chamou a atenção de pensadores tão díspares quanto Sartre e Derrida. Sua força expressiva e originalidade levaram Ítalo Calvino a afirmar que Ponge era um “clássico moderno”, fazendo com que sul-americanos do porte de Jorge Luís Borges, João Cabral de Melo Neto e Haroldo de Campos também se somassem a seu imenso rol de leitores admiradores.

Nesta nova edição, Adalberto Müller, que participou da primeira tradução, coletiva, de O partido das coisas, se lança em voo solo produzindo uma importante transformação. Como se lê no posfácio, “a mudança de contexto modifica as noções das coisas”. No caso desta retradução, essa modificação alcança diversos aspectos. Primeiramente, contrariamente à tradição de edição de poesia no Brasil, Müller opta por deixar o leitor frente a frente apenas com o texto em português, evitando presença do vulto original, facilmente acessível na rede. Não se trata, contudo de negar a condição de tradução de seu texto, como se fosse um substituto do original. As copiosas e informadas notas do final dão a ver para o leitor interessado quão complexo são as escolhas, quão delicada é a tensão que se processa entre mundo e linguagem. A elas soma-se o posfácio no qual alguns cotejamentos são explorados, mostrando o grau de reflexão por detrás de cada decisão.

Essa consciência da diferença e do movimento do diferir faz com que Adalberto Müller, operando como um agente no processo cultural realize um trabalho de retradução em que o processo de reescrita, mais do que aderir às palavras do original, aproxima-se daquilo que Ponge entende por noção, ou seja, a relação entre as palavras e as coisas. Assim, a conclusão do poema “Chuva”, “alors si le soleil reparaît tout s’efface bientôt, le brillant appareil s’évapore: il a plu”, primeiramente traduzida por “então, se o sol reaparece, tudo logo se desfaz, o brilhante aparelho evapora: choveu”, agora foi reescrita como “então, se o sol reaparece, tudo logo se apaga, o brilhante aparelho evapora: houve a chuva”. Chama aqui atenção a enorme modificação no final  do poema que agora remete de modo mais significante ao aspecto sonoro e à noção que ele implica.

O leitor poderá, devido a esse acurado artesanato, reler Ponge com outros olhos e ouvidos, ampliando as possibilidades de entendimento dessas que é, certamente, uma das mais importantes poéticas do século XX.

Álvaro Faleiros

Autor(a) Francis Ponge
Tradutor(a) Adalberto Müller
Nº de páginas 176
ISBN 978-6-55519-146-2
Altura 13,5x20,5 cm

Autores

FRANCIS PONGE

Tradutores

Adalberto Müller

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