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Foi na literatura norte-americana que se deram os passos fundamentais para converter, como disse Jorge Luis Borges, o conto contemporâneo na narrativa mais importante dos dias atuais. Um sistema que obriga a quem o pratica a desenvolver um virtuosismo técnico, aliado a uma visão aguda do homem e sua época, poucas vezes alcançado com tanta precisão no relato longo.

Alguns dos protagonistas desse processo, iniciado na primeira metade do século XIX, (Sketch Book, de Whashington Irving, é de 1820), estão aqui representados com alguns de seus melhores escritos. Podemos mencionar a Edgar Allan Poe, que não só foi um representante fundamental no desenvolvimento do conto, como também ajudou a pensar e teorizar os meandros desta variedade literária. Seu ensaio sobre a teoria do conto, publicado em 1842, praticamente esgotou a discussão sobre o assunto. Hoje, passados 150 anos da formulação de Poe, um número importante de escritores (Gogol, Maupassant, Chékov, Henry James, Conrad, Kafka, entre outros) deu seu testemunho, o que permitiu ir desentranhando do emaranhado das tramas individuais, as linhas dominantes desse tipo de narrativa. Além de Poe, temos Herman Melville, muito conhecido por seu Moby Dick, mas que desenvolveu uma técnica precisa para o conto e uma temática que o coloca como um precursor de Kafka, na certeira colocação de outro mestre, o já citado Jorge Luis Borges. Suas narrações breves, foram palco para achados conceptuais e insólitas histórias pouco reconhecidas na sua época. Um bom exemplo de suas narrativas curtas é "Benito Cereno", uma pequena obra-prima que enriquece este volume. Nathanaiel Hawthorne, autor do romance A letra escarlate, um dos relatos mais fascinantes sobre o puritanismo, foi também um dos grandes cultores da narrativa curta. Documentou com precisão a moral de seu tempo e os deslumbramentos provocados pela transgressão. Outros momentos do conto norte-americano são exemplificados a partir de Hamlin Garland, um memorialista que foi importante porta-voz das novas técnicas do realismo. Ambrose Bierce, jornalista, ficou conhecido por seus relatos realistas, sarcásticos e muito influenciados por Poe. Henry James, que morou em Londres por mais de 20 anos, oferece em boa parte de seus romances, assim como em seus contos, uma delicada visão sobre os modos de vida na Europa e sobre sua influência no modo de vida americano. Edith Warthon, que foi amiga de James, teve um papel fundamental ao descrever com marcada ironia o mundo falsamente aristocrático da alta burguesia. Stephan Crane, Mark Twain, Jack London e Sherwood Anderson, também ajudam a pensar as profundas mudanças operadas desde o fim do século XIX até as primeiras décadas do século XX.

Enfim, uma pequena amostra das origens literárias desse país central na vida contemporânea. País que, sem dúvida, teve nessa literatura, seu primeiro grande momento de expansão.

 

Autor(a) Vários Autores
Tradutor(a) Celso M. Paciornik
Nº de páginas 256
ISBN 85-7321-129-6
Formato 16x23 cm

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Celso M. Paciornik

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